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terça-feira, 31 de março de 2009

Inah Lins de Albuquerque










Inah Lins de Albuquerque

Em 19/06/2010 - Centenário do seu nascimento

Há 99 anos nascia em Sertânia, filha de Dona Rosa Bezerra Lins de Albuquerque e do poeta Ulisses Lins de Albuquerque, Inah Lins de Albuquerque. Falecida ainda muito jovem, inspirou ao poeta muitas páginas da sua lírica,inclusive uma belíssima coroa de sonetos que forma o "Livro de Inah", parte do seu livro Fogo e Cinza.

Em homenagem a bela Inah, transcrevo duas composições poéticas do seu pai Ulisses Lins de Albuquerque.

No Túmulo de Inah

Inah foi o poema inacabado
Do meu maior afeto. Ao vê-la morta,
Também morria o mundo para mim.
E, embora em festa o Céu lhe abrisse a porta,
Meu coração, gemendo, espedaçado,
Assim falou-me: "Pai desventurado,
Tua saudade não terá mais fim"!

Soneto I
Do Livro de Inah

Este poema é o meu Horto de Agonia,
- Evangelho de Dor, Missal de Pranto -,
Bíblia de Amor e de Melancolia,
Onde a Saudade esvoaça em cada Canto.

Livro de Job, fi-lo a chorar um dia,
Na hora em que o poeta pela dor é um santo.
Unge-o a benção dos olhos de Maria,
Cobre-o também a sombra do seu manto.

Nele, assim, só há mágoa e desalento.
É o grito de minh´alma dolorida,
A carregar a cruz do sofrimento.

- Livro de Inah, meu Poema de Saudade...
Ah! Feche-o, pois, quem não sentiu na vida
Os açoites da dor em tempestade.

domingo, 29 de março de 2009

Carlos Pena Filho - Antologia de Poetas Pernambucanos


Carlos Pena Filho




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5 - Antologia de Poetas Pernambucanos


Carlos Souto Pena Filho




Soneto das Metamorfoses


Carolina, a cansada, fêz-se espera
e nunca se entregou ao mar antigo.
Não por temor ao mar, mas ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.

Carolina, a cansada que então era,
despiu humildemente, as vestes pretas
e incendiou navios e corvetas
já cansada, por fim, de tanta espera.

E cinza fez-se. E teve o corpo impune
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.

Foi quando se lembrou de ser esquife;
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.

Do Livro "O Tempo da Busca" - 1952
Edições Região.




Carlos Pena Filho nasceu no dia 17 de maio de 1929 e faleceu na mesma cidade no dia 1º de julho de 1960, vítima de acidente automobilístico.
Exímio sonetista, é um dos mais inspirados e apreciados poetas brasileiros de todos os tempos. Sua poesia é caracterizada pelo traço pictórico das suas imagens e metáforas. É considerado o poeta do azul por citar com frequência essa cor nas suas requintadas composições de um lirismo fascinantemente visual. Possuia a rara magia de escrever "pintando" entre outras virtudes da sua obra.

Amaro Lafayette - O Mauá dol Moxotó





Amaro Pereira Lafayette – O Mauá do Moxotó
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Da estirpe do Visconde de Mauá e do “Coronel Delmiro Gouveia”, foi Amaro Lafayette o mais importante empreendedor da região do Moxotó em Pernambuco, no início do século passado, como Homem de Negócios e Capitão de Indústria, porém, com atuação numa ampla área que abrangia os municípios vizinhos de Sertânia em Pernambuco e mais além, no seu Estado natal – a Paraíba.
Homem extraordinário, foi Farmacêutico, Fazendeiro, Negociante, Político e Industrial, foi responsável por intensa atuação nessa parte do sertão pernambucano. Ao lado da sua Farmácia de manipulação e produção de remédios, medicamentos e águas de cheiro, exercia também a compra e venda de peles, algodão e outros produtos da agro-indústria e ainda a fabricação de doces.
O futuro empreendedor sertanejo nasceu no dia 13 de agosto de 1876 no município de Monteiro – PB, desde muito jovem revelou-se um ativo homem de visão, ao empregar-se no estabelecimento comercial do abastado comerciante – Coronel Francisco de Torres que viria, tempos depois, tornar-se seu sogro após seu casamento com Dona Leopoldina Torres. Estabelecendo-se inicialmente com uma Tipografia em Monteiro, logo ultrapassando os limites da Paraíba, instalou-se na cidade dos Palmares na região da Mata Sul de Pernambuco. Por motivos de saúde, transferiu-se para a cidade de Sertânia estabelecendo-se com Tipografia, Casa Comercial de tecidos, perfumaria e miudezas, Farmácia de manipulação e produção de medicamentos, Bolandeira, Fábrica de doces e produtor agro-pecuário. Expandindo seus negócios, estabeleceu uma farmácia em Rio Branco, hoje Arcoverde e Fazendas em Geritacó, Algodões e no Distrito de Cimbres em Pesqueira.
Muitos dos seus produtos eram conhecidos em todo o Nordeste, tais como: Elixir de Antipirina (antitérmico), Pílulas do Mato (Intestinos) e o Vinho São Gabriel (fortificante), do ramo farmacêutico. Entre outros produtos da agroindústria, produziu os doces “Cruz Vermelha” e “Samaritana”, e o licor Pipermina e a Aguardente Melindrosa.
Foi Prefeito do Município de Sertânia, um dos fundadores do Clube dos 50 e com o seu irmão Coronel Joaquim Lafayette, da cidade de Monteiro, fundou o primeiro Jornal de Sertânia – A Paz.

Para honra do seu admirável nome e de sua obra e orgulho dos seus descendentes, o Capitão Cirurgião do 61º Regimento de Cavalaria da Guarda Nacional de Alagoa de Baixo, (sua verdadeira patente), Amaro Pereira Lafayette, legou os seguintes filhos:
Maria do Carmo Torres Lafayette, casada com o Dr. Honório Costa Monteiro;
Leonor Torres Lafayette, casada com o Sr. José Nobre Formiga;
Demócrito Torres Lafayette, casado com Isbela Amaral Videira Lafayette;
Sebastião Torres Lafayette, casado com Antonieta de Siqueira Lafayette;
Raul Torres Lafayette, casou-se duas vezes. A primeira com Maria Alice Gomes Lafayette
e após enviuvar com Teófila Gomes Lafayette;
José Torres Lafayette, casado com Olívia Torres Lafayette;
Marieta Torres Lafayette, solteira;
Inalda Torres Lafayette, casado com o Sr. Geraldo Valente do Rio de Janeiro.
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Marcos Cordeiro - Olinda, janeiro de 2009.

Romançal Paranambuco - Marcos Cordeiro




ROMANÇAL PARANAMBUCO

Marcos Cordeiro



Canto IX
ou
Romançal das Lutas
Libertárias


I

Mourão

Da Guerra Holandesa



Em Pernambuco a Holanda
tudo transforma em dinheiro.
Vai açúcar e vai madeira
pelos navios cargueiros.
Para as cortes européias
levam o ouro e as bateias
da terra dos altos coqueiros.

Enquanto cresce o Recife
jaz Olinda incendiada.
No interior da Província
dá-se início a luta armada.
Nos Engenhos se conspira
tendo a liberdade em mira,
para a guerra esperada.

Começa a Guerra Holandesa,
Pernambuco se defende.
Em Ipojuca e Tabocas
a luta cresce e se estende.
Em Casa Forte a vitória
confirma a nossa história
de que honra não se vende.

Livre está Tejucupapo,
Itamaracá e o Pontal.
Cai o Forte de Altenar,
a guerra é já crucial.
Dos Guararapes a Holanda
de Pernambuco se manda
em derrota colossal.

No vinte e seis de janeiro
assinam a rendição.
Na Campina do Taborda
venceu nossa insurreição.
Em Pernambuco a história
é feita de sangue e de glória
de quem faz Revolução.




II

Galope


Da derrota
Holandesa



Em Pernambuco o açúcar
não é para exportação
é a palavra soprada
do fole do coração.
É oração celebrada
em doce contemplação.

Nessas terras de Engenho
açúcar não é pra comer.
É palavra engatilhada
para os flamengos vencer.
É a doce consciência
de um novo amanhecer.

O açúcar como senha
das casas grandes corria.
Doce aroma libertário
de boca em boca saia,
doce caldo fermentado
e ideais e idéias.

Em Pernambuco o açúcar
tem outra conotação
não faz garapa nem mel
faz luta e revolução
para afastar a Batávia
da nossa terra e Nação.

Nessas terras de açúcar,
de barro ocre e escuro,
além da cana indiana
se produz o mel de furo
das idéias libertárias
de Pernambuco futuro.

Não foi o mar salgado
que derrotou os batavos,
foi o mar doce de cana,
foi o mel e o mascavo,
foi o mar-canavial
dos taifeiros escravos.

Os heróis do mar salgado
vencem águas na Holanda,
só não vencem o doce mar
das canas da Nova Holanda,
só não vencem a doca armada
que Pernambuco comanda.

Não foi o mar salgado
que a Nassau expulsou,
foi no mar doce das canas
que a Holanda naufragou.
Foi nos rochedos da honra
que sua armada tombou.

sábado, 28 de março de 2009

Batalha dos Guararapes - Poetas no Campo de Batalha




BATALHA DOS GUARARAPES

Os poetas no campo de batalha
por MÁRIO HÉLIO



"Não faço versos de guerra, não faço porque não sei". As frases do poeta Manuel Bandeira, que faria 112 anos, amanhã, dia em que se comemoram os 350 anos da primeira Batalha dos Guararapes, parecem ser seguidas também por quase todos os autores brasileiros. Pouquíssimos têm interesse épico. Daí a escassez de poemas sobre episódios históricos os mais relevantes, na origem do próprio nacionalismo do país. Contam-se nos dedos os que se ocuparam de fazer poesia coma Batalha dos Guararapes, que, além de nomear uma cidade inteira, batiza também o aeroporto do Recife e uma de suas avenidas centrais.
Na prosa de ficção, o tema praticamente inexiste. Sobram os estudos históricos, que incluem a própria etimologia de Guararapes, esclarecida por Alfredo de Carvalho citando Fernandes da Gama: "Gararapes (sic) significa no idioma dos nossos índios estrondo; e o ruído, que as águas das chuvas fazem, quando se despenham por esses montes, assemelhando-se ao estrondo, que faz uma catarata, quando as águas se precipitam, induziu os índios a dar-lhe este nome", e, recorrendo a Teodoro Sampaio, acrescenta: "Guararapes é simples corruptela de Guarará-pe e se traduz - nos tambores."
O primeiro nome importante a ser lembrado entre os poetas que cantaram a Restauração Pernambucana é o de Natividade Saldanha, revolucionário de 1824. Ele escreveu diversas odes heróicas, para André Vidal de Negreiros, Francisco Rabelo, Henrique Dias, Filipe Camarão. "Porém, ó musa bela, o carro volta/ Aos altos Guararapes/ Neles procura o forte brasileiro/ Tigre sedento, lobo carniceiro,/ Que dardejando a espada em dura guerra/ Faz tremer ao seu nome o mar e a terra": uma estrofe da ode pindárica dedicada a Antonio Filipe Camarão.
EM VERSOS - Da atualidade,podem ser citados quatro poetas pernambucanos que se ocuparam de cantar os feitos nos montes Guararapes: César Leal, Vital Corrêa de Araújo e Marcos Cordeiro. Todos com a singularidade de ligarem versos e pintura. Do último porque, além de poeta, é pintor reconhecido, tiram-se os textos do Romançal Paranambuco (adaptado pelo próprio autor para o teatro). Araújo escreveu o seu Gesta Pernambucana para "ilustrar" alguns trabalhos de um álbum de gravura da pintora e escritora Ladjane Bandeira. O caso de César Leal, que tem versos num longo painel na rua das Flores, no centro do Recife, juntamente com Ariano Suassuna, é semelhante: em 1961, foi encomendado ao pintor Francisco Brennand um painel sobre Guararares, e o artista, por sua vez, encomendou os poemas. "Fiz o poema antes do painel de Brennand ficar pronto. Publiquei no Diario de Pernambuco, e ele se entusiasmou com os versos", conta Leal.
A história completa do mural está contada por Weydson Barros Leal, no ensaio biográfico que escreveu para o livro Francisco Brennand (Sebrae, 1998). "Durante a execução, houve algumas semanas de paralisação devido à conturbada renúncia de Jânio Quadros. Na volta ao trabalho, o artista decidiu incluir as figuras do ex-presidente e do amigo Ariano Suassuna como comandantes que lutavam pela soberania nacional. Numa outra analogia histórica surgia, empunhada pelos combatentes, a imagem da bandeira brasileira atual, numa clara indicação de que aquela batalha era moderna, contemporânea e viva, e que agora éramos invadidos de outras maneiras", explica Barros Leal.
César Leal conta que o poema para Francisco Barreto de Menezes, e outros que lutaram contra os holandeses (todos incluídos no seu livro Os Heróis, ilustrado por Brennand) causou protestos de políticos de direita (Leal e Brennand foram auxiliares do governador Miguel Arraes no seu primeiro governo). "Implicaram sobretudo com o texto que fiz sobre André Vidal de Negreiros, em que digo, na primeira estrofe: A Guerra tem suas leis e eu as cumpri/ com a força de quem sabe o que convêm,/ por isso, perdoai, nobres Senhores/ se em fogo eu cobri tantos Engenhos."
O texto de César Leal sobre os Guararapes é o que se pode chamar de poema interativo. Escreveu-o como alguns epitáfios gregos, que são mensagens dirigidas do herói ao seu leitor: "Saudação do Comandante de Campo Barreto de Menezes: "- Bom dia, pernambucanos!/ Com vocês estou aqui neste mural./ " - Que fizestes para tanto merecê-lo?"/ Dirão os que de estranha Pátria são/ mas não vocês/ cujos avós comigo edificaram/ - a fogo e faca e patas de cavalo -/ o orgulho da Pátria em Guararapes!"
"COISA DE SUBVERSIVO" - "Fiz vários poemas para os heróis pernambucanos, não sou dado a essas homenagens, mas acho a batalha dos Guararapes bonita, e um homem como João Fernandes Vieira demonstrou uma coragem estupenda", afirma Leal. "O curioso é que talvez esses textos em que exalto os heróis pernambucanos tenham causado raiva nas pessoas, que consideravam os versos coisa de subversivo, preferiam os versos de Mauro Mota, muito mais amenos, sobre o assunto".
O poeta e pintor Marcos Cordeiro preferiu a fôrma popular do mourão: "Em Pernambuco a Holanda/ tudo transforma em dinheiro./ - Vai açúcar e vai madeira/ pelos navios cargueiros./ - Para as cortes européias/ levam ouro e as batéias/ da terra dos altos coqueiros.// (...) Livre está Tejucupapo,/ Itamaracá e o Pontal./ - Cai o Forte de Altenar,/ a guerra é já crucial./ - Dos Guararapes a Holanda/ de Pernambuco se manda/ em derrota colossal."
O caso de Vital Corrêa de Araújo é de um poeta que resolveu "legendar" gravuras, recriando sua idéia plástica numa descrição ou narração. A sua Gesta Pernambucana é em grande baseada no álbum de gravuras de Ladjane Bandeira sobre a Restauração Pernambucana. No livro há um poema especificamente sobre a primeira batalha dos Guararapes: "Eles buscam/ com o aval da própria vida/ nas grimpas/ dos Montes Guararapes/ a estrepitosa e dura/ vitória da raça/ batismo sangrento/ parto de um povo/ valoroso lucideno."
No comentário que escreveu a respeito das gravuras de Ladjane Bandeira, o historiador José Antonio Gonsalves de Mello, faz uma síntese das principais imagens do Brasil holandês, a partir dos contemporâneos da dominação e das batalhas. Fernandes Vieira teria mandado pintar dois grandes painéis sobre a batalha dos Guararapes e outras, como a das Tabocas e da casa-forte de D. Ana Pais, na Várzea. "No século XVIII os feitos de armas não foram esquecidos. Conhecem-se dos primeiros anos desse século (1709) três painéis mandados pintar pelos vereadores da Câmara de Olinda, representando cada uma das batalhas maiores da guerra contra holandeses (conservados no Museu do Estado)", escreve o historiador.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Maria das Dores Gomes Lins de Albuquerque








Maria das Dores Gomes de Albuquerque - Iaiazinha


A última Iaiá


Os tios e tias, para mim, muitos mais do que os padrinhos, são e serão sempre anexos ou prolongamentos dos meus pais Iraci e Waldemar.
A primeira tia que me conheceu foi tia Iaiá. Isto nos primeiros momentos do meu nascimento no dia 1º de janeiro de 1944. Assistindo ao 3º parto da minha saudosa mãe, tia Iaiá foi quem primeiro me deu a mão para entrar neste mundo. Esse dia, único para mim, foi também para Alagoa de Baixo. A partir desse dia a minha cidade obtinha o registro de batismo como Sertânia, outorgado na véspera 31 de dezembro de 1943, graças ao poeta Ulisses Lins de Albuquerque, parente afim e de quem me tornaria, alguns anos depois, amigo e discípulo, nas diversas vezes em que passei férias na sua Fazenda Conceição. Tanto quanto eu, estava contando com 1 (um) dia de existência. Da minha parte, graças à presteza de tia Iaiá, sobrevivi a uma violenta hemorragia umbilical. Daí por diante a minha vida, juntamente com as das minhas irmãs Cacá, Lourdinha e Fátima, transcorreu paralela com a existência alegre e feliz da casa de tia Iaiá e tio Arcôncio com os nossos primos José Etelvino, Manoel Afonso, Paulo, Rafael, Ceci, Glorinha, Lice, Arconcinho e Lúcia. Sem esquecer os agregados: Titia, Etelvina, João Adão, Sr. Antônio Marinheiro, Cizila, Irene, Siá Tila, Leopoldo, Iracema e demais freqüentadores dos fins de tarde daquela casa e daquela família, tais como: Dona Santa de Sr. Assis, Dona Lourdes de Sr. Vitorino, Maria Freire para o alegre jogo de canastra, Dona Senhora e muitas outras comadres, compadres e centenas de afilhados. Naquele tempo sem o advento da televisão, era uma festa, quase tertúlia, as reuniões, à noitinha, antes da sessão do cinema, sob o som saudoso da difusora do Cinema Emoir, no terraço que dá para a praça. Camarote privilegiado da eterna (para mim) Praça, ainda com o nome do grande abolicionista, republicano e poeta pernambucano Martins Júnior, dali observava-se tudo, ao mesmo tempo em que inebriados com o perfume do jasmim lilás do jardim que a tudo perfumava, assistia-se ao desfile galante das moças e rapazes, circulando alegres ou algumas furtivas lágrimas, beijos e arrulhos de corações jovens e apaixonados. Do terraço dessa casa, até hoje bem conservado, observei alguns acontecimentos que permanecem indeléveis na minha história: a Festa das Nações, organizada por Dona Liu Pinheiro, da qual tia Iaiá, com outras senhoras da sociedade, como Alicinha Lins, as primas Yolanda e Teophila Gomes Lopes, Maria Alice Gomes Lafayette e outras, faziam parte da Barraca da Holanda, enquanto a tia Chiquinha fazia parte da Barraca da Espanha, os desfiles do dia 7 de setembro que sempre se encerravam em frente à Prefeitura Municipal, o velório do seu querido filho Manoel Afonso Lins que contou com a presença da maioria dos nossos primos e parentes do Monteiro, de Afogados da Ingazeira e do Recife, o casamento de Lúcia de Fátima e as torcidas e contagens, alegres ou dolorosas, de votos nas apurações de eleições ali no prédio vizinho da Prefeitura e os inúmeros aniversários e jantares de natal e de ano novo.
Natural de Jabitacá, antiga Varas, tia Iaiá criou-se e atingiu a adolescência e a mocidade passeando entre a Fazenda Caiçara do seu avô materno Coronel José Gomes dos Santos, a Fazenda Santa Tereza dos tios José Augusto e Nana, a lendária Fazenda Varzinha do tio-avô coronel Paulino Raphael, a bela cidade do Monteiro na Paraíba, o Colégio da Damas no Recife e a nossa Sertânia.
Matriarca descendente da cepa dos Gomes dos Santos, dos Raphael e dos Teixeira de Vasconcelos, tia Iaiá trazia no sangue e no caráter a nobreza e a retidão da mãe Leonila Gomes Raphael, a coragem e a sinceridade da tia Santa (Joana Amélia) Gomes Santa Cruz a ética cristã da tia Felismina Gomes dos Santos, a sensibilidade da tia Filomena Gomes de Torres e a doçura da tia Ana (Nana) esposa do poeta José Augusto da Santa Teresa e para coroar o seu caráter a honestidade de Manoel Raphael Sobrinho – seu pai.
Até 1961, quando então me transferi para o Recife, em todos os momentos, alegres ou tristes da casa da tia Iaiá, mamãe e nós, nunca deixamos de estar presente naquele, sempre simpático e alegre, solar da Praça Martins Júnior. Mesa farta e variada, era um regalo para quem nela tomasse assento. Era uma honra almejada por muita gente os almoços domingueiros com maravilhosos cozidos, buchadas ou mãos de vacas suculentas acompanhadas do pirão de farinha de mandioca e do de cuscuz e ainda a soberba carne de bode assada. Depois o pudim de laranja ou a saborosa salada de frutas. Os cafés variados e ricos dos fins de tarde, eram quase uma ceia. Ah! Os bolos marmorizados com veios de chocolate, o bolo de caco temperado com cravo, canela e erva doce, as tapiocas com manteiga e o queijo assado no fogão de lenha. Era um verdadeiro ritual que acontecia todas as tardes com as suas comadres, amigas, eleitoras e colegas de trabalho na Prefeitura como Maria Amélia de João Dudu, Naci Freire, Carminha Brito e ainda mamãe ou tia Chiquinha, entre outras. Os aniversários, primeiras comunhões e as ceias de Natal.
Outros momentos inesquecíveis, sob a responsabilidade da querida tia, foram as temporadas e as festas de São Pedro na Fazenda Cacimbinha e voltando outra vez para a cidade, os dias de feira com a chegada de compadres e comadres dos sítios distantes do município, moradores da Cacimbinha e da Lage dos Pires como Sr. Francisco (Tiquinho), João Viana, Siá Teresa e a Comadre Senhora de Antônio Marinheiro com a sua filha Carminha. Entre outros, lembro-me do Sr. Aprígio Siqueira de Albuquerque Né, Joana do Brabo, João Adão, Malaquias e a passagem, inesquecível, do lendário tio-avô do tio Arcôncio - o famoso e respeitado Sr. Pule – Major Napoleão de Siqueira, do alto de sua estatura de quase dois metros empunhando a sua bengala, quase uma espada e acompanhado, quase sempre, pelo filho Chiquinho e a nora Ismaelita. Ah! E o que dizer dos dias de eleições. As centenas de eleitores para o almoço e o transporte de ida ou volta para os distritos e sítios do município?
Além dos familiares, amigos, compadres e eleitores a casa da Praça Martins Júnior de Arcôncio e Iaiazinha, sempre teve as portas abertas para muita gente. Desde ministros, governadores, secretários de Estado, senadores, deputados, parentes, amigos e não amigos, traidores dos acordos políticos, até uma infinidade de compadres, sem falar nas centenas de afilhados, que segundo penso eram mais de um milhar, e inúmeros agregados da zona rural. Também das freguesas dos bonitos enxovais de batizados, saídos das suas mãos e dos ensinamentos da mãe Leonila e das freiras do Colégio das Damas da Instrução Cristã do Recife, onde além de bordados, estudou música e aprendeu a tocar violino.
Herdeira da tradição de bem receber e acolher dos Gomes dos Santos e dos Raphael, naquela longa mesa e naquele terraço acolhedor havia sempre um lugar a mais para uma visita repentina. Cidadã sincera e corajosa, esposa e mãe dedicada e carinhosa com os seus diletos e amados filhos, deixou um das mais belas heranças para a posteridade e para a História de Arcôncio e Iaiazinha – a belíssima união dos seus filhos, o amor pela vida no campo e a fidelidade ao hino de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense – Luar do Sertão, e Casinha Pequenina, suas músicas preferidas.
Iaiazinha Gomes Lins de Albuquerque encontrou-se com Cristo, Nossa Senhora dos Remédios, seu avós José e Honorata, seus pais Manoel e Leonila, seus irmãos José, Carmelita, Iraci, Francisquinha, Anunciada, Zélia Teresinha e seus amigos no dia 22 de agosto de 2005.


Olinda, Setembro de 2005

Marcos Cordeiro

Edwiges de Sá Pereira - Antologia de Poetas Pernambucanos


4 - Antologia de Poetas Pernambucanos
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Edwiges de Sá Pereira
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Edwiges de Sá Pereira nasceu no dia 25 de outubro de 1885 na cidade de Barreiros - PE. Poetisa, foi a primeira mulher que entrou para Academia Pernambucana de Letras e se distiguiu como uma das precursoras do Movimento Feminista do Brasil. Criou a revista " O Lírio ", revista exclusivamente feminina, publicada de 1902 a 1904 no Recife. Poetisa bastante lida e admirada, faleceu no ano de 1959, aos 74 anos.
OBRAS
Campezinas - Poesia
Impressões e Notas - Pedagogia
Pela Mulher - Para a Mulher - Tese apresentada em Congresso Feminista
Um Passado que não Morre - Ensaio sobre Regueira Costa
Influência da Mulher na Educação Pacifista do Pós-Guerra - 1947
Horas Inúteis - Poesia
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Magno Sonho
Ela sonhou que o noivo nesse dia
Tudo, afinal, vencera e vinha vê-la.
Por isso, alegre como a cotovia,
Passava o tempo todo na janela.
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Mas, quando a tarde plácida morria,
No céu deixando a vespertina estrela,
Toda a expressão feliz dessa alegria
Já não mais em seu rosto se revela.
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Entra, e vencida curva a fronte e chora
Enquanto cai a lágrima descrente,
E o bem amado, a seu pesar, deplora.
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Ele chega, e, sutil, pé ante pé,
Pousa as mãos em seus olhos docemente,
E lhe pergunta a gracejar: "Quem é".

Sérgio Lemos - Pintura




Sérgio Lemos
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Razão e Sensibilidade


Apesar das inúmeras tentativas para o desmonte, exclusão e até mesmo a extinção das “tradicionais” formas das artes como a pintura, a escultura e o desenho numa nova classificação de Artes Plásticas inicialmente pelo Movimento Dadá e outros que vieram a seguir como: A arte conceitual, a Pop Art, a Minimal Art, as Performances e as Instalações, entre outros, essas formas ditas “tradicionais” continuam resistindo e para tristeza de alguns “profetas” elas continuam vivas e atuantes para criadores e público. Em qualquer país do mundo é visível a “resistência” dessas formas “tradicionais” perante esse desmonte meramente conceitual. Para o grande público esse tipo de “Arte” que considera a idéia, o conceito por trás de uma proposta ou projeto como sendo superior ao próprio resultado final e que este pode até ser dispensável, como apregoam os defensores da Arte Conceitual tão agressiva a partir de 1960, não surtiu nem surte o efeito por eles esperado. Considerar a montagem de uma cenografia como uma obra dentro da classificação de Arte Plástica, não tem para esse público, pelo que se observa e se ouve, nenhum sentido. Paradigma quase geral de muitos “artistas contemporâneos”, esses projetos rotulados como “Instalações ou Propostas” vieram ocupar o topo da onda e do modismo atual sempre com a supervalorização do conceito por meio de textos, fotos, cópias digitais, diagramas, fitas e discos de áudio, ausência de algo, etc. Tudo isto e até a exibição de corpos desesperados em streapteases selvagens e agressivos, etc, serviam para transmitir angustiados “significados” nessas “performances” totalmente incompreensíveis para outros que não os próprios criadores de tais ações que tentavam dizer que o fim justificava o meio. Ou seja, o nada era a própria arte... Ou ainda que “Tudo é Arte”. Porém, essa “arte” que para os próprios criadores e os seus epígonos ávidos de ilusórias celebridades já demonstrava pela sua origem que já era tão “velha” quanto a sua idéia surgida com Marcel Duchamp, há 90 anos.

DUCHAMP (Marcel), pintor francês (Blainville, 1887 – Neuilly-sur-Seine, 1968). Que inicialmente foi influenciado pelo cubismo, teve depois participação importante no Movimento Dadá e no Surrealismo. Posteriormente ao fixar-se nos E.U.A., dedicou-se à "antiarte" e em 1914 criava o primeiro ready-made. Suas “pesquisas e invenções” viriam a exercer influência na "pop-art" e em outros tipos e ismos das artes plásticas.

Opostos a tais performancistas, instalacionistas, coisistas e nadaistas, muitos artistas plásticos continuaram artistas plásticos. Não seguindo a via desses não-sabem-o-que-são-istas, se pintores, artesãos, cenógrafos, streapes, exibicionistas, artistas, não-artistas, anti-artistas, ou algo não identificados por uma etimologia qualquer, as Artes Plásticas continuaram se enriquecendo com os trabalhos de centenas de pintores, escultores e desenhistas para encantamento de jovens e não jovens, alheios a essa angústia pelo o inexistente ou o delírio. Portanto, indiferentes a uma forma de encarar a arte que se espalhou pelo mundo e que abarcava diversas manifestações artísticas, a partir de 1960, quando o conceito passa a se sobrepor ao objeto artístico, ou seja, à própria realização artística.

A esse radicalismo da arte conceitual como o ponto alto da modernidade cultural nos últimos anos do século XIX e início do século XXI, tanto no Brasil como no exterior, Sérgio Lemos, entre tantos outros, deu continuidade a sua busca com razão e sensibilidade, indo buscar na cultura pernambucana, naquilo em que ela tem de mais fascinante e próprio num dos seus temas mais populares - os papa angus, a via do seu caminhar estético e até lúdico da sua pintura. A fase atual de Sérgio Lemos, por enquanto, é o coroamento de uma busca iniciada na década de 70 através das luzes e das cores das frutas tropicais pernambucanas e nordestinas dos seus exuberantes jogos frutais. Na sua linguagem atual vemos que a sensibilidade supera a razão da arte conceitual e a sua própria da fase anterior circunscrita que era a um geometrismo que aprisionava o desenho, o tema e o autor dos seus jogos frutais. No momento atual, o artista incorporou definitivamente as raízes da cultura pernambucana a sua arte, tanto quanto o fizeram Lula Cardoso Ayres, José Cláudio, Abelardo da Hora, Francisco Brennand, Vitalino, Capiba, Nelson Ferreira, Marcos Acioly, Olímpio Bonald, Manoel Bandeira, Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto, Austro Costa, Mauro Mota e Audálio Alves, entre outros, nas diversas formas de Arte.

Transitando de uma pintura matérica que se tornara emblemática dos seus jogos frutais como disse Jomard Muniz de Brito e outras fases anteriores, Sérgio Lemos utilizando diversos suportes como a tela de linho, o cartão duro e o cartão ondulado, diluiu tintas e amaciou as pinceladas, sem, no entanto, abrandar a força e o sabor do desenho, da cor e da composição, apenas tornando mais encorpadas as suas propostas tal e qual os bons vinhos originários de boas cepas. Aliás, Sérgio, um enólogo amador e fiel degustador de bons vinhos, originários principalmente da região do Douro e recentemente da região vinícola pernambucana do São Francisco, sabe como poucos dosar e encorpar as suas tintas e cores. A alegria das cores da fase anterior aflorou mais intensa e dramática nas figuras dos papa angus mascarados, deformados e surreais, aliás, mais reais e humanos do que a própria anatomia natural do homem. Por trás das máscaras estamos nós nesses seres renascidos das suas telas e por serem arquétipos são mais fortes, expressivas e consequentemente mais tragicômicas e universais, não obstante representarem visualmente uma cultura regional de origem popular. Em nenhum outro momento o ser humano se revela mais verdadeiro e livre do superego e dos outras amarras do que no carnaval quando ele solta seus, popularmente ditos: cachorros e demônios. Livre de cadeias e correntes os papa angus de Sérgio Lemos nos convida para uma nova leitura ou viagem pelos labirintos da mente de cada um e das raízes da cultura pernambucana.

Não sei ao certo se a obra de Sérgio Lemos seja merecedora de alguma importância para aqueles que desdenhando do corpo físico e visual do objeto artístico passaram a cultuar o vácuo e a ausência, só sei mesmo que para nós outros, os seus trabalhos preenchendo esse mesmo vácuo e essa mesma solidão e incomunicabilidade nos dão ciência das inúmeras e infinitas possibilidades do fazer artístico. Sedutora para aqueles que desconhecem ou desprezam o conhecimento e o domínio técnico do fazer artístico, a proposta conceitual seja tão somente o não-ser-sendo da banalidade e da futilidade dos cultores do nada, do imaterial. Paradoxal e polêmico é esse universo criado por esses cultores do happenings, da instalação e dos multimeios. Filhos da land-art e da arte povera e ao mesmo tempo herdeiros de uma sucessão de propostas estéticas como o cubismo, dadaísmo e outras, é realmente um paradoxo que eles neguem a possibilidade da arte e eleja o ideário anti arte como o supra-sumo da verdade. Ante essas Proposições de Arte sem obra de arte é que nascem, existem e produzem muitos pintores, escultores, desenhistas e gravuristas como Sérgio Lemos, Raul Córdula, Maria Carmen, Teresa Costa Rego, Jairo Arcoverde, Montez Magno, Plínio Palhano, Luciano Pinheiro, Ana Veloso, João Cãmara, Ana Gonçalves, Samico, Zé Cláudio, Ana Vaz, Vila Nova, Chico Dantas e tantos outros artistas plásticos em Pernambuco, no Brasil e no exterior.

Marcos Cordeiro
Olinda, Janeiro de 2009-01-07

Ulisses Lins de Albuquerque - Antologia de Poetas Pernambucanos













3 - Antologia de Poetas Pernambucanos
Ulisses Lins de Albuquerque




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Natural de Sertânia - PE, nasceu no dia 9 de maio de 1889, filho de Teresa Siqueira Lins de Albuquerque e do Coronel Manoel Coelho Lins de Albuquerque Né. Deputado Federal por Pernambuco, era bacharel em Direito pela Faculdade de Direto do Recife e pertenceu a Academia Pernambucana de Letras. Poeta, Romancista e Memorialista, publicou diversos livros, entre os quais:


Pedúnculos - Versos - 1910
Ao Sol de Sertâo - Versos - 1922
Mestres e Discipulos - Poesia - 1927
De joelhos - 1930
Fogo e Cinza - Poesi 1933
Um Sertanejo e o Sertão - Memória - 1957
Moxoto Brabo - Memória - 1960
Sol Poente - Poesia - 1962
Seara Alheia - Poesia - 1962
E a Noite vem - Poesia - 1969
Três Ribeiras - Memória - 1971
Chico Dandim - Romance - 1974
O Boi de Ouro e outras Estórias - Memória - 1975


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A Seriema
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Andeja, airosa, arisca, ei-la, a seriema,
Em seus passeios diurnos pela estrada,
- Errante senhorita, enamorada
Das seduções do azul da Borborema.
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Vendo-a, à lembrança ocorre-me um problema:
Talvez que uma princesa desterrada
Viesse aos bosques, assim transfigurada,
Curtir de atroz desgosto a angústia extrema...
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Às vezes, por se ver tão solitária,
Estrangulando as próprias mágoas, canta.
E ei-la, garbosa, assim trauteando uma ária.
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Mas, nesse canto é como que ela esteja
Traduzindo, aos soluços da garganta,
Os desalentos da alma sertaneja.
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Do livro "Fogo e Cinza" - 1933

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quinta-feira, 26 de março de 2009




Coronel Paulino Raphael da Cruz
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Minha homenagem de sobrinho/bisneto


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DELMIRO AUGUSTO DA CRUZ GOUVEIA
UM GRANDE PAN NORDESTINO
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De Profundis
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Marcos Cordeiro
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O meu pai foi cearense,
minha mãe pernambucana.
Meu coração recifense,
minha coragem romana!
Meu amor foi pesqueirense,
minha saga alagoana!
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Delmiro sou dos Gouveia,
Augusto filho do Norte,
O Ceará deu-me uma Cruz,
o sertão me fez um forte.
Do comércio e da indústria
fui capitão pela sorte.
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Anunciada Falcão
foi a primeira ilusão...
A cidade do Recife
foi a segunda paixão...
Nas cinzas do Coelho Cintra
quase que perco a razão.
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Feroz e bela mulher
iniciou minha história...
Nos cimos de Ororubá
veio a primeira vitória,
nos planos do Litoral
minha luta foi inglória.
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Do Recife ao Ceará
fui coronel, fui guerreiro,
lutei contra a oligarquia,
fui peão, fui boiadeiro.
Na margem do grande rio
o Nordeste deu dinheiro.

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A força da cachoeira
eu domei para o progresso.
No rol dos civilizados
o Nordeste teve ingresso.
Ao seu passado de atraso
não teremos mais regresso.

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Entre o Recife e o Rio
São Francisco do sertão,
plantei mercados e fábricas
para bens de exportação,
depois um golpe da sorte
fez a minha execução:
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Varado fui pelas balas
no confins do meu sertão.
A inveja mais mesquinha
me mandou pra solidão.
Na curva do velho Chico
enterrei meu coração.
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Adeus Recife e Pesqueira,
Pernambuco e Ceará.
Adeus aos meus companheiros,
meus filhos, minha Iaiá.
Fica a saudade e as trovas
para na História eu entrar.

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Minha homenagem
Marcos Cordeiro – Olinda 2004
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Austro Costa - Antologia de Poetas Pernambucanos









2 - Antologia de Poetas Pernambucanos


Austro Costa


Austriclínio Ferreira Quirino, o poeta e jornalista conhecido como Austro-Costa, nasceu no dia 9 de maio de 1899, na cidade de Limoeiro, em Pernambuco.

Órfão de pai e abandonado pela mãe, foi criado por um tio, negociante português que o colocou para trabalhar no balcão de sua loja de tecidos. Austro-Costa empregou-se também como zelador da pequena biblioteca de Limoeiro.

Publicou seu primeiro poema, no dia 15 de fevereiro de 1913, no "O Empata", em Limoeiro.

Em 1915, adotou definitivamente o pseudônimo de Austro-Costa.

Quando escrevia crônica social usava o pseudônimo João da Rua Nova. Mudou-se de Limoeiro para o Recife em 1917, quando tinha apenas 17 anos.

Trabalhou na Empresa Vecchi, distribuidora de livros em fascículos (1918) e atuou na imprensa recifense como revisor, repórter, cronista, tendo trabalhado nos jornais A Luta, Jornal do Recife, Jornal do Comercio, A Notícia, Diário da Tarde e no Diário de Pernambuco, onde escreveu regularmente de 1922 a 1929. No Diário da Tarde, manteve a seção De Monóculo, de 1933 a 1935.

Publicou seu primeiro livro de poesias "Mulheres e Rosas", em 1922, contendo 52 poemas escolhidos, o qual teve notável repercussão.

Foi integrante do Movimento Modernista em Pernambuco (1924), participou do combate à Revolução Constitucionalista de 1932 e, em 1934, tornou-se funcionário da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Dizia que tinha três "cachaças": imprensa, política e poesia.

Em 1945, publicou seu segundo livro, com 102 poemas escolhidos que denominou de Vida e sonho.

Casou-se com Helena Lins de Oliveira em 1948 e, em 1949, tomou posse na cadeira nº. 5 da Academia Pernambucana de Letras, patrocinada por Natividade Saldanha e cujo fundador foi o poeta e professor de Direito Gervásio Fioravanti.

No dia 29 de outubro de 1953, morreu no Recife, quando ia do trabalho para casa, vítima de um acidente de ônibus.


FONTES CONSULTADAS:

LOPES, Waldemar. Austro-Costa no centenário de seu Nascimento. Recife: Ed. Livros de Amigos, 1999.

SILVA, Jorge Fernandas de. Vidas que não morrem. Recife: Governo de Pernambuco, Secretaria de Educação, 1982.

Fundação Joaquim Nabuco (http://www.fundaj.gov.br/)


Livros
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Livros bons... Livros maus... Livros... Ah! Quantos
comprei e recebi, compro e recebo!
Mestres de encantos e de desencantos...
Mestres cujas lições com os olhos bebo...
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Livros meus... Mil e tantos acalantos
em minhas horas más!... Só eu percebo
o que vale "cavar" uns "mil e tantos"
quando levo alguns deles para o "sebo"...
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Sempre aferrado aos livros, noite e dia,
na ânsia de algo saber, - ânsia funesta
a que malucamente me abandono,
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só aprendi esta filosofia:
um livro mau se vende, não se empresta;
e um livro bom... não se devolve ao dono...
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quarta-feira, 25 de março de 2009

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Aniversário de José Nunes Raphael

No dia 27 de dezembro de 2008, a bonita e veneranda Fazenda São Rapahel, mais conhecida como Fazenda Morcego, situada no Distrito de Jabitacá - Iguaraci, viveu mais um dos seus grandes dias. Propriedade de descendentes do Coronel Manoel Joaquim Raphael da Cruz e do seu filho Coronel Tércio Raphael de Torres, avô e pai de José Raphael, é uma das mais antigas e organizadas Fazendas do Vale do Pajeú.

Ali marcaram presença irmãos, irmãs, cunhados, cunhadas, primos, primas e inúmeros amigos das Fazendas vizinhas e dos municípios de Afogados da Ingazeira, Iguaraci, Tuparetama, Ingazeira, São José do Egito, todos da região do Pajeú, como também de Recife, Sertânia, Monteiro, Prata - PB, Natal - RN, Manaus - AM e de outros lugares.

Abrilhantando a inesquecivel confraternização contamos com a presença do Conjunto de Chico Arruda e filhos de Sertânia que como sempre deu mais encanto ao inesquecível encontro social.

Parabens para o nosso querido primo e amigo José Nunes Raphael.

terça-feira, 24 de março de 2009

Cachoeira do Urubu - Degradação do Paraíso


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Cachoeira do Urubu - Primavera - Pernambuco



ECOLOGIA TAMBÉM É CULTURA


Situada no Município de Primavera, na mata Sul de Pernambuco, a cachoeira do Urubu é uma das mais belas cachoeiras do Brasil. Formada pela queda das águas do Rio Ipojuca, infelizmente, está com as suas águas com alto grau de poluição. O Rio Ipojuca desde as suas nascentes na divisa de PE e PB, mais precisamente no Distrito de Ipojuca no Município de Arcoverde, começa a receber esgotos e lixo a partir da Cidade de Sanharó passando depois a receber os mesmos dejetos poluentes em Belo Jardim, Tacaimbó, São Caetano, Caruaru, Bezerros, Gravatá e Chã Grande.

É em caráter de urgência que o povo e o governo de Pernambuco tomem as providência necessárias para salvar o Rio Ipojuca como também o Parque Eco-turistico da Cachoeira do Urubu. Infelizmente, já é vísivel a degradação das encostas dos montes pelo adiantado processo de erosão próximo das suas margens. A erosão é resultante de um manejo inadequado dessas áreas ocupadas por dezenas de anos pela monocultura canavieira. Torna-se necessário que o Governo de Pernambuco faça uma ampliação da área de preservação do Parque da Cachoeira do Urubu para evitar que esse tipo de exploração do solo continue a degradar as margens do Rio Ipojuca.


Gervásio Fioravanti - Antologia de Poetas Pernambucanos






1 - Antologia de Poetas Pernambucanos



Gervásio Fioravanti
Gervásio Fioravanti Pires Ferreira (Recife, 13 de fevereiro de 1870 - 13 de agosto de 1936) foi advogado, professor político e poeta brasileiro.
Fundador da
Academia Pernambucana de Letras, ocupou a cadeira 5, que tem Natividade Saldanha como patrono. Presidiu a Academia entre 24 de novembro de 1904 e 14 de dezembro de 1905.
Foi professor de
Direito Penal na Faculdade de Direito do Recife e deputado federal por Pernambuco.
Livros publicados:
Os meses (
1895);
Horas marianas (
1927);
Estátua


Corro e percorro a linha graciosa
Do teu corpo gentil e perfumado...
E como um velho artista deslumbrado
Leio-te – estrofe em mármore de rosa. –

Em que bloco ideal a caprichosa
Mão da natura a boca te há rasgado?
A que céus, a que abismos redoirado
Roubaste a cor da trança luminosa?

O que te falta, pois se és bela e nobre,
Se até a renda que teu seio encobre,
Morre de amor, por ti, vaidosa e fátua!

Ama... E se tens um coração no peito,
Vem partilhar as sombras do meu leito
- Mas, não te moves? – Ah! Tu és estátua!...






Escola de Trovas

Marcos Cordeiro

Amor é pólvora que faz
suspirar as emoções.
É pavio de mil lumes
que detona corações.
Faz trovar os trovadores
e trovejar sensações.

Amor e paixão tanto pode
ser imortal se leal.
Com suspiros ou gemidos
ser mortal se desleal,
pois se algum deles o trai
o amor é morte real.

Brincar de amor não faz bem
com mil cartas ou mentiras.
Não se fere um coração
com os cantares da lira.
Porém se trai um ao outro,
faz-se refém da sua ira..

Tal pena ao traidor
fá-lo-á melhor amante,
seus suspiros agora são
só cantares soluçantes,
seus gemidos agora graves
são soluços dissonantes.

Se um coração arde em brasa,
mais arde sua paixão.
Seus suspiros são faíscas
se caem no coração
de quem ao amor suplica,
posto que, grande explosão.

Versos fazem quem os sabe
segredos dos seus amores.
Versos dizem que os faz
com vinho, mulheres e cores.
Meus suspiros são os versos
feitos de músicas e de dores.


Para cantar quem me quer
com suspiros delirantes,
o meu canto enamorado
é de um cavaleiro andante.
Suspiros meus não me traiam,
sou trovador e amante.

Versos dizem quem os faz
seja de noite ou de dia,
amor nunca escolhe a hora
para os cânticos da alegria,
sua gramática são rimas
imagens, cor, harmonia.




Recife, agosto de 2005
Pintura: Frei Miguelinho e a sua Escola de heróis.

Marcos Cordeiro




Pernambucaníada



Surgidouro das Naus

Entre os recifes e os ventos
a ostra tem-se guardado.
De coral e alumbramento
construiu o seu sobrado,
com beirais de brancas brumas
e varandas de espumas.

Lamarão

A si mesma, entre dois rios,
a cidade se entrelaça,
qual ostra dos mares frios
de madrepérola se abraça.
Monja reclusa na cela
que a bem poucos se revela.

Arrecife dos Navios

Recife tem o seu nome
arrancado do seu peito,
Pernambuco é sobrenome
esculpido dos seus feitos
de guerreiros destemidos,
de guerrilheiros nascidos.

Trincheiras do Novo Mundo

Entre as folhagens do Mangue
o homem traçou uma bela
cidade feita do sangue
do herói que se rebela.
Dispôs Recife ancorado
no sangue e no mar salgado.

Guararapes

Pelas batalhas e pontes
tem sua glória cantada,
escrita em ouro nas frontes
com os fios das espadas.
Líquidas são suas estradas,
de água e sangue, sangradas.

Memorandos Nomes

A ti, Pernambuco, apraz
revoluções e batalhas.
Bernardo, Roma e Caneca
são três fortes muralhas.
Tuas lutas libertárias
são tuas odes lendárias.

Rubro Veio

Tua alma é o teu escudo
unida ao teu férreo seio
onde o sangue de Esparta
irriga teu rubro veio.
Unge os céus tua História
com a nobreza e a glória.

Angra dos Heróis

Sob o céu ultramarino
do oceano revoltado,
daqui seguiu pra Bahia
nosso brio acorrentado,
ali a voz do trabuco
não calou Pernambuco.

Lagamar dos Leões

Do panteão dos martírios
voaram alto seus filhos
pela honra coroados.
Pela sanha dos gatilhos
se aqui nasce um imortal
ali tomba um mortal!

Proa da Liberdade

Proa de rocha que corta
o Atlântico que lhe traça,
da liberdade é a porta,
do continente é a raça
que fincou sua bandeira
pelas terras brasileiras.





Waldemar de Sousa Cordeiro - Antologia de Poetas Pernambucanos


















Antologia de Poetas Pernambucanos

Waldemar de Sousa Cordeiro



PINA


Para meu filho Marcos Cordeiro


A alma de Debussy nos flamboyants da rua
cujos galhos em flor são órgãos ao relento.
Há boleros ao luar. E a noite dança nua
escandalosamente aos deboches do vento.

Pina. Barco veleiro ao longe se insinua
á vista do Farol de Olinda em raios lentos.
De ondas bravas o mar epilético estua
e a metrópole cai em suave passamento.

Poste por poste vão-se as longas avenidas...
Desfilam por ali vidas que não são vidas,
caravanas que vão do Egito a Canaã...

Boêmio a vagar pelas esquinas tortas.
No abandono do cais passeiam virgens mortas
á procura talvez da estrela da manhã.




Do livro Salão de Sombras

Iraci Gomes Raphael de Sousa Cordeiro


Iraci Gomes Raphael de Sousa Cordeiro





À Iracy


(minha noiva ausente)




Já que não posso acompanhar-te os passos,
Dize-me: como vais passando aí?
Meus olhos tristes, nevoentos, baços,
Nunca se cansam de chorar por ti...

Longe de ti, o coração bem perto,
Eu sofro tanto que não posso mais.
Suponho ver num sonho mal desperto
Do teu semblante os traços virginais.

Como um escravo a te beijar as plantas,
Meu pensamento irá para onde fores,
As minhas dores que são tantas, tantas,
Se irmanarão às tuas dores.

Ah! Se eu pudesse aconchegar-te ao peito,
Dizer baixinho: Iracy, meu bem,
Oh! Não maldigas a prisão de um leito,
Se tu morreres, morrerei também.

Como não posso enxugar-te o pranto,
O pranto algente que te molha a face,
Daqui te envio este poema santo,
É a lembrança de um mísero rapace.

Digo-te a frase sempre repetida,
Oh! Alma de pelúcia e de veludo:
Não posso nunca por amor a vida
Deixar de amar-te se tu és meu tudo.


Waldemar de Sousa Cordeiro

Em 20 de Outubro de 1939.







domingo, 22 de março de 2009

Domingos Cordeiro Aureliano de Sant`Anna

Domingos Cordeiro Aureliano de Sant`Anna
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A meu pai

................................................................... Waldemar Cordeiro
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Sempre a espreitá-lo a morte que não cansa
veio ceifá-lo às horas matinais
de um domingo de julho. Um céu lilás
está chorando lágrimas de criança.
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Farda de herói, inquebrantável lança,
peito coberto de brasões morais,
combatente de lutas desiguais,
como um crente meu pai enfim descansa.
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De meu pai proliferam-se as ramagens
dos filhos que ele fez a sua imagem,
no seu prolongamento tão profundo.
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Recebo do meu pai com dignidade
o dom conformativo da humildade,
a decisão de suportar o mundo.
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- Poema escrito por meu pai Waldemar Cordeiro na noite da morte do meu avô Domingos Cordeiro Aureliano de Santana.





Caros amigos.

Com essa tela em homenagem ao meu bisavô Coronel José Gomes dos Santos da Fazenda Caiçara em Jabitacá, aqui estou de mala e cuia, com lápis, pena, papel, pincel, tintas e telas para mandar o meu recado sincero e de boa vontade para todos que se dignarem a acessar esse blog que pretendo seja sobre Cultura de um modo geral e História e Arte em particular. Também almejo que ele seja uma página especial sempre aberta aqueles que desejam conhecer as artes e fatos históricos de minha Sertânia e de Pernambuco através da literatura, das artes cênicas e visuais.

Muito obrigado.