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sábado, 6 de junho de 2009

Ode a Sertânia e ao Moxotó - Marcos Cordeiro

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Ode à Sertânia e ao Moxotó
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Marcos Cordeiro
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Por nasceres venturosa,
ancestral e veneranda
fui a origem do tempo,
dancei torés, sarabandas,
revi cordéis, colhi versos
na memória das cirandas.

Abrindo as páginas dos dias,
senti uma aragem de gestas,
nos lampejos das batalhas
ressoam sabres e flechas
troar de onças, trovões
nas tuas áridas florestas.

Seguindo a trilha do couro
bandeirantes de gibão,
cavaleiros de couraça
fincaram a cruz, o mourão.
De Antão e Catarina,
ferraram a fogo o brasão.

Por seres mãe radiosa,
fidalga infanta, guerreira,
em Jabitacá decifrei
sagas tupis, guerrilheiras.
No berço do Moxotó brabo,
herdei seu sangue e bandeira.

Ao descer da cordilheira
ele é rio e é circunstância
lavando a lâmina do tempo,
levando orgulho a distância,
o nascimento da terra
se perde na sua infância.

Anfíbio é verso e é rima
no martelo do meu canto,
agalopando seus passos,
dá fartura, colhe pranto,
dos altos da Bolandeira
segue seu rumo e encanto.

Além das horas, sonâmbulo,
o rio corre em mil patas,
no ouro das madrugadas
beija lajedos e matas,
os seus cavalos de brumas
tem ferraduras de prata.

Deixando a urbe rupestre
traz o seu nome e seu grito,
do seio de Paranapuka
extrai seu plasma invicto
e salta do grande rio
para os braços do Infinito.

- Vou-me embora, vou-me embora
lá dos altos do sertão,
das terras de Pernambuco,
levo história e nome na mão.
Vou-me embora, vou-me embora
deixo saudoso o meu chão.

- Vou-me embora, vou-me embora,
talvez eu vá soluçando.
Para o mar estou seguindo,
para os homens estou cantando.
Para o oceano Atlântico
Sertânia eu vou levando!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Romance da Serra da Bolandeira - Marcos Cordeiro


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Romance da Serra da Bolandeira
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Marcos Cordeiro
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Na serra da Bolandeira
em cortes senhoriais
há princesas transeuntes
e ginetes armoriais.
Há lutas de fogos-fátuos,
duelos memoriais.
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Nos limites dessa serra
nas noites sem lua cheia,
três vagalumes, três moças
com seus encantos passeiam
suas mágoas, suas tristezas
quando de noite incendeiam.
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Cantando motes, pavanas,
rondós, chaconas bailando,
de longe qualquer se avista
três estrelas caminhando,
subindo e descendo a serra,
violinos dedilhando.
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Música de fina harmonia
escuta pássaro e cantor,
repetindo na campina
o que de noite escutou:
as queixas de três infantas,
os ais de um louco amor!
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Tecendo mantos de rendas,
lamentando o que passou,
as três à noite se encontram,
bordando à três uma dor
por um cavaleiro andante
que foi e não mais voltou.
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Para as bodas combinadas
cavaleiro se sagrou,
cavalgando o vento norte
em vento se transformou.
Hoje penteia os cabelos
das três noivas que deixou.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Inverno em Pernambuco

Ceres

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Ângelo Rafael e
Edson Vasconcelos


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Inverno no Sertão de Pernambuco – Conceição da Pedra


A cultura generalizada de desmatar a caatinga para introdução de pastagens e fabricação de carvão vegetal continua. Será que dentro de 10 anos, como se prevê, será na região Nordeste o 1º deserto brasileiro?
Felizmente a Deusa Ceres lembrou-se mais uma vez do nosso sertão com os seus sobreviventes da sanha destruidora dos homens que ali habitam e teimam em destruir fauna e flora e voltou com pompa e circunstância deixando por onde passa um rastro de beleza e pujança na natureza renascida.
Infelizmente, algumas tragédias aconteceram unicamente provocadas pelo homem como a construção de imóveis em áreas sujeitas a inundações e deslizamentos, não monitoramento e preservação de reservatórios mal projetados e mal construídos. Também o desmatamento de enormes áreas de caatinga e da mata ciliar de rios e pequenos afluentes que formam as diversas bacias da região. Enfim, da própria ação do homem que pensando ser “dono” de alguma coisa na terra, ainda pensa ser dono da natureza e da terra degradada do Nordeste por anos de exploração destruidora. Ora, ninguém é dono de nada, muito menos da terra. Os políticos que fazem as leis da nação precisam despertar para o fato de que a terra é da nação, o homem é tão somente um posseiro transitório e deve respeitar os seres que nela vivem como vegetais e animais. Claro que deve existir agricultura e produção, porém com respeito à terra, ao meio ambiente e a natureza em que vive.
Nesse inverno, tão bom e positivo quanto o inverno de 2004 para os habitantes do nosso Pernambuco, tive a oportunidade de usufruir de parte dessa riqueza e encantamento com prazerosos banhos de riachos e sangradouros de barragens ao som de cascatas e corredeiras. Também me deliciando com maxixadas suculentas, pamonhadas e canjicadas que me fizeram lembrar os tempos saudosos de minha mãe Iraci e das tias Iaiá, Belita, Anunciada e Chiquinha na minha querida Sertânia e nas fazendas dos parentes em Monteiro-PB, Jabitacá e Afogados da Ingazeira.
Em Conceição da Pedra tive oportunidade de testemunhar a alegria dos banhistas no sangradouro do Açude da cidade e da visão de inúmeros riachos correndo e cantando para alegria dos pássaros e demais animais do reino de Flora. No Sítio Recanto dos meus amigos Nivaldo, Gildo e Édio, tive a grata satisfação de aapreciar a beleza do verde da vegetação rasteira, arbustiva e arbórea de todo o sítio e adjacências. O encantamento das serras cachimbando ao longe, tanto para os lados de Buíque como para os lados do Fundão, Poço do Boi, Gentio, Tará, Serra do Socorro, Venturosa e Alagoinha. A mim pareceu que o céu é que estava cá na terra. Essa época é de muita beleza para toda essa região do Ipanema com as suas serras e brejos, como também o é para os lajedos e picos dos horizontes longínquos da Serra do Xilili e do Catimbau, já próximos da ribeira do Moxotó e que marcam o início do sertão propriamente dito de Pernambuco.
Na cidade a alegria desponta no sorriso de todos com a chegada da fartura verde do milho, do feijão, das pastagens e das suas conseqüências financeiras. No Bar de Gildo os aboios, cantorias e desafios dos presentes revelam novos talentos escondidos pela seca e pelo desencanto. Só o inverno faz com que esses poetas até então adormecidos, despertem para a alegria e até para o amor como a maioria das pessoas da região. É bem normal nos anos “bons de inverno” aumentar o número de noivados, casamentos e nascimentos nas comunidades urbanas ou rurais do Estado.
Entre uma e outra bicada ou beiçada, novos versos e novos negócios são ouvidos e efetuados. Negócios de compra e venda de potros, novilhos e novilhas para engorda e crias são concretizados. Contratos e trocas também são feitos entre parceiros embriagados de esperança e satisfação com o inverno magnífico de 2009 em Pernambuco.
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