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quinta-feira, 27 de maio de 2010

II - Olegário Mariano - O poeta das cigarras





















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Olegário Mariano – O poeta das cigarras.

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A velha mangueira


No pátio da senzala que a corrida
Do tempo mau de assombrações povoa,
Uma velha mangueira, comovida,
Deita no chão maldito a sombra boa.

Tinir de ferros, música dorida,
Vago maracatu no espaço ecoa...
Ela, presa às raízes, toda a vida,
Seu cativeiro, em flores, abençoa...

Rondam na noite espectros infelizes
Que lhe atiram, dos galhos às raízes,
Em blasfêmias de dor, golpes violentos.

E, quando os ventos rugem nos espaços,
Os seus galhos se torcem como braços
De escravos vergastados pelos ventos.


Publicado no livro Canto da Minha Terra (1930).


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O enamorado das rosas


Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.


Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.


Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.


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O Príncipe dos Poetas Brasileiros


Olegário Mariano Carneiro da Cunha, filho de José Mariano Carneiro da Cunha, herói pernambucano da Abolição e da República, e de Olegária Carneiro da Cunha, nasceu no Poço da Panela, arrabalde do Recife, estado de Pernambuco, no dia 24 de março de 1889.

Olegário Mariano mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, aos oito anos de idade.

Escrevia poesia antes mesmo dos 13 anos. Em 1904, então com 15 anos, publicou o seu primeiro livro: Visões de moço, prefaciado por Guimarães Passos. Passou então a colaborar nas revistas Fon-Fon, Careta e Para Todos, publicadas no Rio de Janeiro.

Estudou no Colégio Pio-Americano e posteriormente matriculou-se na Faculdade de Direito, mas não chegou a iniciar o curso, pois foi trabalhar no cartório do pai José Mariano Carneiro da Cunha. O local era freqüentado, além de políticos, por Olavo Bilac, Machado de Assis, Guimarães Passos, Emílio Menezes, entre outros.

Casou com Maria Clara Sabóia de Albuquerque, em 1911, indo morar na Europa por quase um ano.

Em 1926, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira Nº 21, na vaga de Mário de Alencar.

Assim como ocorrera com o pai, que recebeu um cartório do presidente Rodrigues Alves, Olegário Mariano ganhou o seu de Getúlio Vargas, em 1930.

Dedicou-se à carreira política sendo deputado à Assembléia Constituinte que elaborou a Carta de 1934. Trabalhou também como Inspetor Federal de Ensino Secundário e censor de teatro.

Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros pelos intelectuais brasileiros, em concurso promovido pela revista Fon-Fon, substituindo Alberto de Oliveira, que detinha o título após a morte de Olavo Bilac, que foi o primeiro a receber o título.

Representou o Brasil na Missão Melo Franco, na Bolívia, foi delegado da Academia Brasileira de Letras na Conferência Inter-Americana de Lisboa, para o acordo ortográfico (1945), embaixador do Brasil em Portugal (1953), e membro da Academia das Ciências de Lisboa.

Conhecido como “o poeta das cigarras”, por causa de um dos seus temas prediletos, e considerado o último poeta romântico brasileiro, a sua contribuição à história da música popular brasileira não é muito estudada. Entretanto, em parceria com Joubert de Carvalho, deixou 21 composições, sendo que dezenove chegaram a ser gravadas.

Joubert musicou, em 1927, duas poesias de Olegário: Cai, cai, balão e Tutu Marambá. O poeta aprovou as músicas e, a partir de então, surgiram outras canções, com De papo pro ar (1932)e Dor de recordar(1933). Fez, ainda, dupla com Gastão Lamounier, lançando o tango Reminiscência (1929), a valsa Arrependimento,e a valsa lenta Suave recordação.

Faleceu no dia 28 de novembro de 1958, no Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério São João Batista.


Principais Obras:

Ângelus (1911); Sonetos (1912); Evangelho da sombra e do silêncio (1913); Últimas cigarras (1920); Castelos na areia (1922); Cidade maravilhosa (1923); Batachan (1927); Destino (1932); Poesias escolhidas (1932); O amor na poesia brasileira (1933); Canto da minha terra (1933); Vida, caixa de brinquedos (1933); O enamorado da vida (1937); Da cadeira n.21 (1938); Abolição da escravatura e os homens do Norte (1939); Em louvor da língua portuguesa (1940); A vida que já vivi (1945); Quando vem baixando o crepúsculo (1948); Tangará conta histórias (1953).


2 comentários:

  1. Muito me fascinou a poesia A mangueira de Olegário Mariano. Me transportei mentalmente para o local dos acontecimentos.
    Parabéns pelo blog e obrigada pelas ricas informaçoes!
    Um abraço,
    Ravena Remigio

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  2. o.m, TEM UM POEMA, OU SONETO, NÃO SEI DEDICADO AO POÇO DA PANELA. eSTÁ NO LIVRO:TODA UMA VIDA EM POESIA. ALGUÉM TEM ESSE POEMA?

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