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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Maria Carmen de Queiroz Bastos - A Mestra do traço, da forma e da cor do Trópico

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Maria Carmen - A Mestra da Rua Saldanha Marinho em Olinda

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Pintora, escultora e desenhista, Maria Carmen é pernambucana do Recife. Artista das mais criativas e atuantes no cenário cultural de Pernambuco, se sobressai pela força dos seus trabalhos artísticos, seja na pintura quanto na escultura e no desenho onde demonstra toda uma magnifica epifania sem concessões ou meias tintas. Detentora de um estilo personalíssimo, seu trabalho sugere em certos momentos uma agressividade aparente pela força do traço da sua imagística de caráter ao mesmo tempo telúrico e autobiograficamente apocalíptico. Se das suas mãos saem flores, também saem espectros dramaticamente humanos e até mesmo "roboticamente" humanos. Mãos e mente totalmente sincronizadas na revelação do caos ou da poesia do mundo atual. Suas mandalas, desenhos, esculturas e pinturas, dependendo das possíveis leituras, se não forem sentenças serão profecias.
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Marcos Cordeiro, 24 de abril de 2009.

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Geraldo Falcão - Antologia de Poetas Pernambucanos
















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Geraldo Falcão -
Antologia de Poetas Pernambucanos - 11

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Piano do Grande Hotel
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Os sons dos martelos
batendo nas cordas
de chuva, cristal,
retesas, contidas
no móvel suspenso
na luz da salão.
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O som do metal
na concha do ouvido
reparte o silêncio
com toques timbrados
por dedos que dançam.
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Esquife estendido
no palco emsombrado
(esquife ou patíbulo?)
silentes espectros
dormentes, velados
por sons e silêncios
de velhos saraus.
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Distantes as mãos
esgarçam a valsa
em tons que desmaiam
na tarde desnuda.
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No coche de espelhos
viaja a mulher,
as mãos, as estrelas,
os dedos, os raios
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cadentes as luzes
andando no espaço
são aves que pousam
nas teclas da pele
tocando em silêncio
um solo de amor.
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"... admirável o explêndido ritmo de seus versos e a força de imagens como "leviatãs que emergiram de crateras" e "crinas de espumas, mil centauros loucos" ..................................................................................................................... Moacir Scliar
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Memória - Adalgisa Raphael Gomes






















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Dona Adalgisa Raphael Gomes
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Filha do Sr. João Ferreira Gomes e de Dona Áurea Teixeira de Vasconcelos Raphael, nasceu na lendária Fazenda Cacimba Nova, cantada e imortalizada em verso e prosa por diversos poetas e músicos. Dona Adalgisa Raphael era neta pelo lado paterno de Dona Honorata Arcelina de Jesus e do Coronel José Gomes dos Santos da Fazenda Caiçara - Jabitacá - PE, e pelo lado materno do Ex Chefe Político e Prefeito de Afogados da Ingazeira - PE, Coronel Paulino Raphael da Cruz da Fazenda Varzinha, também em Jabitacá, Município de Iguaraci - PE. Católica fervorosa, foi um exemplo de bondade e humildade. Amiga dedicada de todos, deixa um exemplo digno de ser relevado e guardado por todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la e privarem da sua convivência e amizade. Descendente de duas importantes famílias pernambucanas - Gomes dos Santos e Raphael que se destacaram na povoação das regiões do Pajéu e do Moxotó em PE., e do Cariri na Paraíba, era um valioso arquivo vivo da cultura de um "Coronelismo cristão" onde a caridade e a solidariedade era a sua maior virtude. Da minha parte e da minha família, como primos e amigos, fica a nossa homenagem nessa singela postagem em sua saudosa memória.
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........................................................................................................... Marcos Cordeiro
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Bilhete quase elegia para Adalgisa Raphael
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Daqui dessa cidade
tão distante, te remeto
inutilmente contrafeito,
o meu pesar neste poemeto,
colhido inteiro no canteiro
das saudades.
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Para ti, sei que é pouco,
porém, mesmo de longe,
entre cigarras e pássaros,
recitarei, como se um monge,
este poema e do livro santo:
os salmos.
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Sei que distante estás
com minha mãe e os teus,
por entre bosques e verbenas,
louvando por nós a Deus.
Feliz com eles cantarás
e com Jesus e Maria
ficarás.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Origem da Literatura Ocidental



















............................... Ingênua pretensão de São José do Egito
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Origem da Literatura Ocidental
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........................................................................................ Marcos Cordeiro

É do conhecimento geral que as origens da Literatura Ocidental estão na Grécia, à excessão de alguns habitantes de São José do Egito, conforme atesta o portal à entrada daquela cidade do sertão do Pajeú que se atribui como o “berço imortal da poesia”. Mera pretensão ou simples inocência do autor ou autores do ingênuo disparate...
A contribuição da Literatura da Grécia para a formação da Literatura do Ocidente, não se resume apenas às estrofes e versos da Ilíada e da Odisséia, atribuídos a Homero. É também de origem grega o nascimento da dramaturgia européia e conseqüentemente da arte cênica ocidental. Também tiveram papel relevante na formação da Literatura Européia os poetas líricos, Hesíodo, Pausânias e outros que fixaram mitos antigos da cultura helênica. A Filosofia, a História (adotada como disciplina por Heródoto) e até mesmo a Medicina, cuja literatura foi fixada por Hipócrates e as Religiões e suas práticas, entre outras contribuições.
Por tudo isso, então, é que a maioria dos estudiosos considera que a POESIA, como parte fundamental da Literatura Ocidental, teve o seu berço na Grécia, precisamente com aqueles dois famosíssimos poemas épicos que descrevem em seus versos a história da Guerra de Tróia – a Ilíada, e a história do retorno do herói Ulisses para casa – a Odisséia. Até pouco tempo era voz comum que esses dois monumentos literários eram da autoria do grande aedo Homero, porém, atualmente algumas correntes de estudiosos sustentam a tese de que Homero é um personagem lendário, portanto, os textos teriam sido criados por diversos poetas até a sua fixação definitiva no sec. VI a.C.,em Atenas.
Entre os textos poéticos mais antigos da Literatura Grega temos também, os poemas: “Teogonia” – sobre as origens dos deuses e “Os Trabalhos e os Dias” de Hesíodo. Também merecem destaque na Poesia Lírica, diversos poetas como: Safo, Anacreonte, Simonides, Eurípides, Empédocles e Platão no Período Clássico – 2000 a 323 a.C., Asclepíades, Teócrito, Anite, Nóssis, Calímaco, Simias de Rodes, Possidipo e Alceu de Messênia, entre outros, no Período Helenístico. No Período Greco-Romano podemos citar: Melêagro, Filodemo, Crinágoras, Marco Argentário, Lucílio e Rufino, entre outros. No Período Bizantino temos Paladas, Gregório o Teólogo, Claudiano, Damásquio Filósofo, Agatias Escolástico, Juliano, Prefeito do Egito, Macedônio Cônsul, Paulo Silenciário e diversos poetas anônimos. Todos esses tiveram um papel importantíssimo na fixação e desenvolvimento da poesia epigramática grega.São integrantes da Antologia Grega ou Palatina que abrange os séculos VII a.C. a V d.C.
Na Dramaturgia se destacam: Ésquilo que introduziu na Literatura Ocidental o diálogo poético numa interação da Poesia com o Teatro. A sua mais importante obra é a tragédia Oréstia sobre os Atridas. São destaques ainda: Sófocles, Eurípides e Aristófanes com as obras: Lisístrata e As Vespas. Platão, discípulo de Sócrates, escreveu diversos textos científicos, porém, a sua mais importante contribuição para a Literatura Ocidental foi a sua Arte Poética onde já estabelece concepções do drama e parâmetros para a Crítica Literária.
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Período Clássico: 2000 a 323 a.C.
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Safo
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Contemplo Como o Igual dos Próprios Deuses
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Contemplo como o igual dos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falas
com tal doçura,
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e ris cheia de graça. Mal te vejo
o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não sai
a minha voz,
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a língua como que se parte, corre
um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar, os meus
ouvidos zumbem,
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e banho-me de suor, e tremo toda,
e logo fico verde como as ervas,
e pouco falta para que eu não morra
ou enlouqueça.
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Anacreonte
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Eis a tumba do resoluto Timócrito;
a guerra poupa os covardes, não os bravos.
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Pastor, pasce teu gado longe daqui, mas não leves junto
a novilha de Míron, pensando que ela está viva.
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Simonides
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Homem, o que vês não é a tumba de Creso, mas a cova
de um pobre artesão, para mim o bastante.
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Platão
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Eu, a Laís que altiva riu da Grécia, eu que tive outrora
amantes jovens em penca à minha porta,
dedico a Afrodite este espelho, pois não quero ver
como sou e não me posso ver como era.
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Nove são as Musas, dizem alguns. Quanta negligência!
Eis a décima: Safo de Lesbos.
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Período Helenístico: 323-146 a.C.
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Asclepíades
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Com a bela Hermíone folgava eu certa vez; trazia
ela, ó Páfia, um cinto de variadas flores
onde estava escrito em letras de ouro: "Ama-me toda, mas
não te atormentes se a outro eu pertencer"
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Anite
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Vivo, este homem era Manes, um escravo, morto,
vale agora o mesmo que o grande Dario.
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sábado, 18 de abril de 2009

Audálio Alves - Antologia de Poetas Pernambucanos













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Pesqueira - Terra de Audálio
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10 - Antologia de Poetas Pernambucanos
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Audálio Alves
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Pequeno depoimento
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Tive o prazer de conhecer e conviver com Audálio na década de 70, no auge da efervescência cultural da Rua 7 de Setembro à sombra da Livro 7, naquela época, a "maior Academia Livre de Letras do Brasil". Com ele e muitos outros poetas pernambucanos , frequentávamos diariamente aquele "Petit Trianon" do Recife. Poeta dos mais importante pela força das suas metáforas e símbolos, é um dos mais expressivos da poética brasileira de todos os tempos. Na Livro 7, no seu escritório de advocacia, nas margens do Capibaribe ou na Fundarpe, só um assunto interessava, sobremaneira, ao menino de Pesqueira: a vida e a Poesia que dela tirava e nos presenteava através dos seus livros - Caminhos do Silêncio (1955), Alicerces da Solidão ( 1959-1961), Canto Agrário (1962), Romanceiro do Canto Soberano (1966), Canto da Matéria Viva ( 1970), Espaço Migrante (1981).
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Soneto Lendário
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Era de ver descalça sobre os dias
a louca e depois lenda da miragem:
aquela que deixou sobre a paisagem
o corpo transformado em ventanias.
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Os olhos, posto azuis, eram dois cárceres
de príncipes do mar e de guerreiros;
e o rosto mais campestre que os pinheiros
(pois nos altos do céu se tornam mártires).
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Era de ver, que a tarde sabe apenas
da voz que, em vez de voz, eram açucenas,
e das loucas canções que não cantamos.
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E amar, se quis, perdi-me entre pinheiros,
pois descalça se foi entre os primeiros
gestos de flor da tarde sobre os ramos.
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terça-feira, 14 de abril de 2009

Olegário Mariano - Antologia de Poetas Pernambucanos


Abolicionista José Mariano Carneiro da Cunha e o seu filho Olegário Mariano































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9 - Antologia de Poetas Pernambucanos

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Olegário Mariano - Príncipe dos Poetas Brasileiros

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O enamorado das rosas

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Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
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Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.
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Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.
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Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
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De papo pro ar
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I

Não quero outra vida
Pescando no rio
De jereré
Tenho peixe bom...
Tem siri-patola
De dá com o pé
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Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar.
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II
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Se compro na feira
Feijão rapadura
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O home não deve
Se amofiná
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Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar.
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In: MASCARENHAS, Mário. O melhor da música popular brasileira. São Paulo: Irmãos Vitale, 1982. v.4, p.146-147

Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco - Olinda


Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco

Olinda - PE





































Um olhar sobre o Aljube

Marcos Cordeiro


Instalado em um monumento nacional projetado em 1722 pelos Engenheiros João Macedo Corte Real e Diogo da Silveira Veloso, o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, em Olinda, foi fundado pelo eminente jornalista, intelectual, colecionador, empresário e embaixador Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo na década de 1960 e inaugurado no dia 23 de dezembro de 1966.
Irmão trigêmeo do Museu Assis Chateaubriand de Campina Grande – PB e do Museu Regional de Feira de Santana – BA, esses três museus guardam entre si não só a paternidade, o sangue e a força da terra nordestina, mas, sobretudo os seus acervos que privilegiam a arte de importantes nomes do Modernismo Brasileiro, tanto quanto, nomes do Modernismo Inglês nesse último Museu e no de Olinda com David HOCKNEY e do Modernismo Americano de Adolph GOTTILIEB.
O MAC não tem a sua história só a partir da data da sua inauguração, mas de uma série de eventos e fatos que aconteceram em Pernambuco na década de 1960 como o surgimento de diversos “Ateliês” em Recife e Olinda e o efervescente Movimento da Ribeira em Olinda, que marcou toda uma época com a sua legendária aura libertária contra o obscurantismo reinante da época da ditadura militar. Entre os Ateliês mais importantes daquela época podemos citar a Oficina 154 e o Atelier + 10 em Olinda. Para coroar toda essa intensa movimentação nada melhor do que a fundação do MAC em Olinda.
Por trás das suas paredes seculares e encimadas pelo brasão de Dom Francisco Xavier Aranha - Bispo de Pernambuco, as Coleções Assis Chateaubriand, Abelardo Rodrigues, Obras isoladas, Helenos, Salão dos Novos, Salão das Madonas, das Jóias, entre outras, formam o Acervo do MAC constituído de pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, propostas, jóias, fotografias, etc. Nos seu pavimento superior ou térreo onde até fins do século XIX eram destinados a prisão de “pretos, mulatos e feiticeiros” hoje são os mais distintos suportes para a exibição de obras de arte de artistas desde pernambucanos e brasileiros até importantes nomes da arte internacional.
Museu cosmopolita abriga desde um magnífico painel japonês de seda e de brocado do séc. XVII, passando por desenhos da fase inicial de um Walter Disney, pinturas de Gottlieb e Hockney até as obras de artistas pernambucanos ou aqui radicados como: Telles Junior, Vicente do Rego Monteiro, Lula Cardoso Aires, Cícero Dias, Wellington Virgolino, Gilvan Samico, José Cláudio, Maria Carmen, Francisco Brennand, Mirella Andreotti, Manoel Bandeira, Percy Lau, João Câmara, Darel Valença, Abelardo da Hora, João Câmara, Alves Dias, José de Barros, Raul Córdula, Teresa Costa Rego, Thiago Amorim, Adão Pinheiro, Ypiranga Filho, Ana Veloso, Ana Vaz, Sônia Malta, Marcos Cordeiro, Sérgio Lemos, Delano, Montez Magno, Luciano Pinheiro, Roberto Lúcio, Jairo Arcoverde, Ismael Caldas, Marcos Amorim, Guita Charifker, José Barbosa, José Tavares, Emanuel Bernanrdo, Mariza Lacerda, Paulo Neves, José de Moura, Delima, Liliane Dardot e nacionais como: Portinari, Maciel Babinsky, Antônio Bandeira, Aldo Bonadei, Darel Valença, Antônio Gomide, Alberto da Veiga Guignard, Arcângelo Ianelli, Maria Leontina, Manabu Mabe, Ismael Nery, Tomie Ohtake, Lasar Segal, Orlando Teruz, Mário Zanine, Fernando Lopes e Anita Malfati, entre outros.
Ante tão amplo e diversificado registro que faz parte de um acervo bem maior da cultura pernambucana e nacional, podemos ter a certeza de que estamos de frente para um rico e valioso painel do Modernismo e da Contemporaneidade brasileira materializado no fascinante ACERVO do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, referência para Pernambuco, para o Nordeste e para o Brasil.
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